Análise – ‘Super Mario Odyssey’ é a Nintendo de volta a sua melhor forma

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Categoria: Games, Nintendo Switch, Review

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2017 entrou para a história dos videogames como o ano em que a Nintendo redefiniu as regras dos jogos de mundo aberto com The Legend of Zelda Breath of the Wild. Sete meses depois, a japonesa resolveu “fazer tudo de novo” com Super Mario Odyssey. Ou quase isso. A volta do personagem mais famoso dos videogames em uma aventura de plataforma sandbox une a atmosfera já conhecida com novas mecânicas.

Lançado no fim de outubro e cercado de expectativa desde que foi revelado na E3 2017, Super Mario Odyssey é acessível e simplesmente irresistível. O jogo é o primeiro exclusivo do personagem para o Nintendo Switch. Em Odyssey, Mario volta a seu papel tradicional: lutando para resgatar a princesa Peach de um casamento não muito planejado com o vilão Bowser. Só que, dessa vez, uma nova mecânica define o game em relação a seus antecessores de forma decisiva. Contando com a ajuda de Cappy, um chapéu-fantasma, o famoso ex-encanador é capaz de “possuir” vários de seus inimigos.

Melhor mostrar do que explicar:

Que viagem!

Apesar do estranhamento inicial, a novidade abriu uma série de possibilidades para o design de fases no game. Essa escolha faz com que o jogador olhe para os diversos mundos de Super Mario Odyssey como um verdadeiro parquinho. A todo momento você se pega jogando o chapéu em objetos só para ver o que acontece.

Não à toa, é justamente em um momento sem a companhia de Cappy que senti o quanto o chapéu define esse game. Sim, Nintendo, fomos surpreendidos novamente. Ao longo de diversos mundos diferentes, Mario reúne luas (ou power moons) que vão carregar seu chapéu-navio-voador Odyssey para perseguir seus objetivos.

Nessa verdadeira volta ao mundo, é interessante ver Mario passeando por mundos de todos os tipos e com referências abrangentes. Sim, todos mundo fica maluco quando chega em New Donkey City, a versão do game para Nova York. Controlar um T-Rex também é muito divertido e o game está cheio de pequenas recompensas. A todo o tempo, você se pega explorando novas abordagens e formas de conseguir uma nova power moon ou moedas.

Por falar em New Donkey City, esse mundo como um todo é fabuloso. A música tema dessa fase e também do game, Jump Up, Super Star! é daquelas que provavelmente vai ficar para a história dos videogames como uma marca dessa época. Não precisa acreditar em mim, veja você mesmo:

A cada novo desembarque (são 14 mundos na história principal e vários outros depois), o jogador encontra uma série de itens para personalizar seu meio de transporte e também Mario e Cappy. Enquanto as luas do game servem de combustível para o Odyssey, as moedas garantem itens para os personagens principais do game. Mas, comento isso na sequência.

Luas, moedas e personalização

Por falar em moedas, existem dois tipos nesse game. O primeiro tipo, convencional e mais fácil de conseguir. Elas são usadas para comprar alguns itens e também são debitadas sempre que você “morre” – não há mais game over. O segundo tipo de moeda é “local”, cada reino tem a sua. Esse dinheiro local permite que você compre roupas para o Mario, adesivos e enfeites para o Odyssey.

Apesar de uma premissa simples e até despretensiosa, a possibilidade de trocar as roupas do Mario vai deixar muita gente grudada no Switch por muito mais do que as 14 horas que eu levei para terminar a história do jogo. Para conseguir luas e moedas locais você vai se pegar nadando embaixo de cachoeiras, pulando em areia movediça e também voltando no tempo em níveis que fazem referência aos games do Mario em 2D.

Esses pequenos desafios combinam nostalgia e diversão de forma genial. Uma ótima ideia que o time de Mario pegou emprestada de The Legend of Zelda – A Link Between Words, do Nintendo 3DS.

A experiência no Switch

Ao mesmo tempo, os controles de movimento claramente dão vantagens ao gameplay – o que pode ser desconfortável para jogadores em busca de um jogatina mais tradicional. Para os veteranos, outro ponto que provavelmente será criticado é a facilidade para encontrar boa parte das luas necessárias para progredir na história e o baixo nível de desafio das batalhas contra alguns chefes.

Por outro lado, o jogo roda muito bem nos três modos disponíveis (de mesa, portátil e na TV). Os gráficos são vibrantes e fazem jus ao lendário personagem. Mais do que isso, o jogo está muito longe de ser acabado após as 14 horas iniciais, há 999 luas para coletar, novos mundos para visitar e itens colecionáveis para adquirir.

Ainda é possível enfrentar versões mais parrudas dos chefes que você já derrotou. A atmosfera divertida faz com que você queira passar mais tempo com as mãos em Super Mario Odyssey após terminar o modo história. A todo tempo, a exploração é premiada com um novo momento surpreendente e, ao contrário de Mario + Rabbids, o game brilha mais quando você vê os ricos cenários em uma bela TV (não precisa ser 4K).

Odyssey também mantém seu leque de opções aberto com uma série de saltos que podem ser feitos em conjunto por Mario e Cappy. A experiência no modo cooperativo é bastante interessante, apesar de não ser tão divertida quanto em Super Mario 3D World (Wii U), por exemplo. Nesse modo, um dos jogadores é o Mario e outro atua como o simpático Cappy. Sim, senti falta do Luigi, que não aparece nessa aventura… #chatiado

Super Mario Odyssey ainda conta com uma ferramenta de captura de imagens, que permite gravar clipes de 30 segundos do seu gameplay e também tirar fotos com diferentes efeitos para compartilhar ou salvar de plano de fundo do celular. Finalmente, a Nintendo parece estar mais antenada na forma como fãs de todas as idades jogam e curtem seu conteúdo.

Vale a pena?

Nem sempre é possível responder a todo o hype gerado em torno de um jogo. Com certeza, a Nintendo fez um ótimo trabalho em Odyssey. O jogo é uma compra obrigatória para qualquer dono do Nintendo Switch. Super Mario Odyssey recompensa os jogadores mais novos e, ao mesmo tempo, traz referências capazes de fazer os olhos brilharem nos fãs veteranos. O novo parceiro de Mario, Cappy é uma boa adição ao elenco de personagens da franquia e o game é cheio de momentos “feitos para compartilhar” nas redes sociais.

Nunca é demais lembrar que o jogo poderia ter os conteúdos traduzidos para português, já que isso ajudaria quem não entende muito de inglês. Mas, a interface é acessível e conta com algumas dicas tanto para a localização das power moons quanto dos próximos objetivos na história. O que serve para remediar um pouco a situação.

Capturar os inimigos de Mario dá uma nova perspectiva para a forma como cada nível é experimentado pelos jogadores. Apesar de ser pouco impositiva, a mecânica nova é obrigatória em alguns momentos e pode deixar os fãs chateados. No entanto, é inegável que a Nintendo sabe como ninguém tratar suas franquias e fez uma aventura de Mario atraente para as gerações mais novas e repleta de conteúdo para os fãs mais ardorosos.

Se o Wii U foi um console incompreendido, o Switch fez questão de virar essa página em 2017. E Odyssey é parte dessa “retomada” da Nintendo a sua melhor forma. Talvez não seja o jogo do ano, já que tem um páreo duro contra o brilhante The Legend of Zelda Breath of The Wild. Mas, sem dúvida alguma, Super Mario Odyssey é uma adição notável para a biblioteca do Switch. Vale muito a pena embarcar nessa viagem e descobrir até onde a imaginação dos criativos da Big-N pode nos levar.

nota: 9.5

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