Análise – ‘Far Cry: New Dawn’ é pós-apocalíptico em doses coloridas

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Categoria: PC, PS4, Review, XBOX ONE

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Compondo um mundo recheado de estilo,  New Dawn é um ar fresco elevando a franquia a um novo patamar, ou apenas mais uma reutilização das peças já estabelecidas na construção da série? Descubra agora!

Se passando 17 anos após os eventos estabelecidos ao final de ‘Far Cry 5’ de 2018, a Ubisoft nos presenteia em 2019 com um stand-alone (história independente) preenchido de energia que carrega aquele gostinho de novidade – mas com certas ressalvas.

‘New Dawn’ começa nos mostrando ao que veio logo nos primeiros minutos, com cenas de ação que tentam montar um quebra-cabeça um tanto quanto curioso: onde estamos, e sobretudo o que estamos fazendo neste mundo? Para os marinheiros de primeira viagem, saibam que lidamos aqui com uma sequência direta dos acontecimentos vistos em seu antecessor – porém, se você não tem menor ideia do que está acontecendo, não se preocupe: ainda há espaço para descobertas interessantes e uma ambientação rica de coisas a se fazer proporcionando muitas horas de diversão – e quem sabe até uma história legal.

Visualmente falando, o novo título da Ubisoft capricha e não deixa a peteca cair; Hope Country incorpora uma cara diferente com florestas contaminadas por radiação, ambientes inteiros sendo tomados de volta pela natureza e um contraste interessante entre uma ambientação nitidamente devastada pelos atos humanos – mas que impressionantemente expõe sua beleza através de seus tons cromáticos acentuados e vibrantes a todo momento. Por isso, agradeça ao novo motor gráfico, capaz de executar tudo com uma fluidez admirável (na maioria das vezes).

Enquanto a flora nitidamente nos mostra seus pontos altos e baixos ao longo da aventura desenhando o cenário com muita variedade, é na fauna que as coisas ficam ainda mais interessantes: Bisões agora exibem em suas peles mutações que os integram ao ambiente o tornando mais adaptativos. Pumas mostram transformações em seus corpos resultados da radiação que fora expostos, e não imagine que isso se resulta somente ao visual. Seus hábitos e ataques estão mais ferozes que nunca.

O mundo de New Dawn tenta a todo custo nos mostrar que estamos diante de um tabuleiro antigo recheado de pecinhas novas, o que favorece mais ainda jogadores que caíram de paraquedas no game. Ande pelo mapa de forma alheia e irá se deparar com suprimentos sendo jogados de aviões que logo chamarão a atenção de rivais. Ande de carro pela estrada e se depare com carregamentos de Etanol veemente protegidos. Tais eventos são rotineiros e ajudam a tornar mais críveis o distópico momento vivido.

Temos um resultado que mais se parece com um encaixe perfeito à estética estabelecida se analisarmos bem, e a todo momento carregamos a impressão de que não estamos em meio a somente uma deterioração extrema, e sim… um novo começo.

De toda forma, não se deixe levar pelos vales preenchidos com rosas e águas tão cristalinas que podem machucar os olhos; pois contrastando o clima de “Novo Éden”, temos as figuras antagonizadoras e sua facção. Somos apresentados aos Salteadores – caricatas figuras a-la Mad Max que seguem seus líderes, ou aqui, suas líderes deixando rastros de destruição por onde passam.

Highwaymen (ou Salteadores, como sugere o nome traduzido) se destacam pelos seus diferentes níveis de hierarquia passando-se por meros viajantes que adoram atazanar a população do Condado a soldados trajados de armaduras, que parecem ter saído de um clipe da banda DieAntwoord, blindados e equipados com lança-chamas esperando um pequeno ‘pio’ de alguém, para baforar sua ira sem hesitar.

É inegável, até mesmo no visual dos inimigos mais mortais há uma atenção especial para que todos se pareçam extremamente estilosos – influência que parece vir diretamente das figuras Mickey e Lou, gêmeas megalomaniacas que mandam e desmandam por aqui.

Com um passado obscuro repleto de violência, influência direta da figura paterna, a dupla incorpora uma personalidade egocêntrica que infelizmente não tem o impacto necessário e tropeça em alguns clichês batidos, que por vezes desfalcam suas intenções perversas dando vez para encontros enfadonhos e decisões um tanto quanto questionáveis sobre o destino do protagonista. Mas, que por vezes mostram a que veio desafiando o jogador em uma trama… que tenta.

Não recriando a roda por parte dos comandos, espere pela mesma fluidez vista no quinto título: você pode correr, deslizar, agachar, rastrejar por aí e pular.

Em termos de progressão individual, as Vantagens nada mais são que perks nos deixando mais versáteis a diversas situações. Em suma você poderá correr mais rápido, arrombar cofres, reparar carros dentre outras habilidades que serão extremamente úteis em situações mais tensas. São cerca de 25 habilidades a serem desbloqueadas, além de surpresas cujo suas origens tentaremos evitar nesta análise. Mas que certamente, valerão a pena a espera.

‘Far Cry: New Dawn’ nos coloca em um grande parque de diversões sempre nos entregando o que faz de melhor: atividades para te ocupar por muito tempo, e aqui não é diferente. Usando uma versão que reimagina o mapa de Far Cry 5, temos acesso a veículos terrestres, voadores e um emaranhado de armas tão caricatas quanto o mundo estabelecido.

Em especial, é importante dar destaque para o queridinho da vez: o  Lançador de Serras, uma arma inédita capaz de ricochetear seus projeteis nos inimigos e realizar um estrago inimaginável pelo seu caminho.

No arsenal, somos apresentados a 4 níveis de upgrades sendo o último a variedade Elite que esbanja poder mas que também requere um certo esforço por parte do jogador – ponto este que merece muita atenção! O leque de armas não é tão grande, mas certamente é competente em nos mostrar várias possibilidades e estratégias diversas as utilizando.

Outro sistema que mais uma vez tem sua volta são os queridos (ou odiados) parceiros, aqui curiosamente chamados de “armas de aluguel”, ou na aba do menu somente de “Equipe”, personagens que são desbloqueados ao longo da jornada e seguirão o jogador por missões e explorações.

Cada um destes conta com armas e habilidades diferentes permitindo um leque de 3 níveis de progressão sendo possível serem desbloqueadas através de abates a inimigos durante a aventura. Se por um lado seu fiel cão Timber consegue farejar e detectar a posição de todos os adversários na área de forma cautelosa, Gina Guerra não poupará tempo e sairá no maior estilo Rambo a todo custo aniquilando todos ao seu redor.

Se você já está imerso no “far-cry-verse” de ser, não se preocupe, New Dawn não deve lhe trazer muito desconforto quanto sua mecanica de missões. Você irá realizar as tradicionais paralelas que nos contam mais sobre este lugar e seus moradores, sequências de caça ao tesouro, expedições, postos avançados e as obrigatórias missões de história.

Neste sentido, podemos recomendar uma progressão inicial mais focada nas missões paralelas uma vez que elas apresentam ainda mais curiosidades sobre o que supostamente aconteceu durante estes 17 anos além de nos exibir personagens carismáticos e por vezes, até interessantes.

Em parte de sua história principal, não espere por grandes revelações – e sim, fechamentos de certas lacunas.

Embora a tal campanha seja de fato mais substancial, o começo pode parecer… pouco empolgante uma vez que estamos sendo apresentados a vários conceitos recorrentes até que tudo esteja em seu devido lugar, e o roteiro possa crescer naturalmente. É o típico “slow burn” (algo que acontece de forma devagar, e vai crescendo progressivamente).

Temos agora em nossa disposição nossa base central – intitulada aqui de Prosperity, o último panteão da civilização (civilizada) em Montana e principal resistência aos traços diabólicos empreendidos pelos Salteadores.

Em Prosperity sua principal missão é reconstruir, e para isso será necessário realizar evoluções nas mais variadas áreas deste lugar. Quer explosivos melhores? Então se prepare para evoluir o segmento responsável. Ao todo, temos ao nosso dispor:

  • Bancada de Trabalho (desbloqueia novas armas).
  • Enfermaria (melhora a saúde máxima).
  • Oficina (possibilita a criação de veículos).
  • Campo de Treinamento (melhora a saúde e o dano das “armas de aluguel”).
  • Laboratório de explosivos (desbloqueia a criação de explosivos).
  • Expedições (libera a expedições e transportes rápidos).
  • Jardim Medicinal (melhora a eficiência do kit médico).
  • Cartografia (fornece mapas de informações para compra).

Devemos frisar juntamente que todas as mudanças estruturais em Prosperity exibem um visual diferente permitindo ao jogador sempre perceber que suas ações surtiram efeitos positivos no local.

Por fim, é necessário compreender que tais adições não vem de forma fácil – e todas as melhorias carecem de Etanol, recurso extremamente escasso aqui e que pode ser recolhido através de reinvidicações de Postos Avançados, ambientes dominados pelas facções rivais e que precisam ser constantemente atacados nos permitindo expandir nossos territórios. Porém… mais uma vez, nada é tão fácil.

Conquistar os tais territórios nos garantem recursos, estes que usamos para evoluir nossa base e melhorar nossos equipamentos eventualmente – entretanto, para que o jogador conquiste todos os tais recursos disponíveis do local será necessário reconquistar ao menos 3 vezes, o mesmo posto avançado. Todas as vezes, com desafios mais fortes, algo que aumenta o fator replay, mas que para alguns pode parecer uma tarefa um tanto quanto repetitiva já que o jogador encontrará várias ao longo da jogatina.

Inédito na franquia, o novo sistema de Expeditions traz um ótimo frescor ao título implementando formas de coletar recursos ao mesmo tempo em que os jogadores descobrem lugares completamente novos. Durante a aventura, exploramos ambientes desérticos no Arizona (Ponte de Navajo), pantanosos em Louisiana (Five Stars Theme Park) e visitamos o mar na baia da Flórida (HMS MacCoubrey). Todos estes muito bem produzidos e com níveis de replay-value recompensando jogador a cada nova tentativa em uma dificuldade maior.

A mecânica aqui se assemelha muito ao estilo “hit & run” onde devemos nos infiltrar em bases dos Salteadores procurando roubar seus planos e sair. Toda ação acontece de forma rápida onde após coletar determinado item, devemos nos dirigir em direção à zona de resgate o mais rápido possível.

Ao final de tudo, a nova produção da Ubisoft é uma proposta audaciosa e um passo na direção certa que sela um de seus episódios mais emblemáticos até então: ‘Far Cry 5’ – e é muito melhor aproveitado para aqueles que já o finalizaram, tendo um desfecho interessante para todas as lacunas iniciadas e personagens vistos até então.

Com vilões que embora não tenham o impacto que Vaas ou até mesmo o próprio Joseph Seed tiveram, temos aqui um grande playground que certamente não perde em entreter o jogador, seja em sua história principal, seja em suas missões paralelas todas permitindo um sentimento extremamente recompensador de progressão.

Embora New Dawn possa não ser reconhecido no futuro como um must-have para os fãs, sempre será um complemento necessário e sobretudo, competente para uma das histórias mais enigmáticas e controversas da franquia.

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