Análise | Back 4 Blood traz coop divertido, mas com pouca inovação

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Categoria: Artigos, Games, Review

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Back 4 Blood traz de volta a fórmula já consagrada por Left 4 Dead, jogar com amigos e detonar alguns zumbis, sempre foi uma boa diversão, confira tudo que achamos do game em nosso review.

De volta para a sobrevivência

A modalidade de jogos on-line conseguiu um lugar de destaque por conta de alguns títulos que trouxeram eficiência ao unir jogadores de lugares diferentes em partidas em tempo real. A forma como o multiplayer avançou em técnicas e em jogabilidade permitiu que habilidades como comunicação e trabalho em equipe se tornassem um forte elemento das partidas para gerar união e cooperação entre os jogadores.

A proposta de Back 4 Blood reúne todos os principais critérios que consagraram esse tipo de game trazendo como temática principal os infectados que são uma espécie de zumbi de uma epidemia que atingiu o mundo inteiro. Restando poucos sobreviventes, a luta por um abrigo, comida e munição se tornou o instinto mais essencial em um mundo não mais habitado por humanos. Produzido pela Turtle Rocks, a mesma produtora de Left 4 Dead, o jogo recupera o mesmo intuito do título da sétima geração, porém sem grandes avanços no gameplay e mantendo a mesma proposta de cooperação. Apesar de bem estruturado, Back 4 Blood não entrega uma experiência muito relevante e é um jogo mais indicado para os fãs de partidas on-line como vem acontecendo com títulos populares para PC e consoles.

Um aspecto que está sempre em alta é a temática do apocalipse zumbi que conta com mortos vivos que vagam pelas ruas sofrendo mutações e transformando cidades em campos de guerra onde permanecer humano é uma luta e um privilégio ao mesmo tempo. Jogadores que gostam sair por ruas infestadas de criaturas que não permanecem mortas juntamente com suas respectivas versões mais evoluídas poderão se sentir confortáveis em pegar em armas e sair baleando qualquer morto vivo que aparecer pela frente. Neste sentido, Back 4 Blood cumpre bem os objetivos e entrega uma experiência bastante satisfatória no combate aos zumbis com muitas variedades de armas e cenários dinâmicos que representam com eficiência a luta para chegar ao próximo ponto seguro.

Em termos técnicos, o game está polido e rápido por conta dos recursos disponíveis da atual geração, entretanto não consegue ser um jogo que apresente novidade em um gênero já bastante explorado. Logo de início, o jogo exige alguns recursos para acessar a campanha e um fator obrigatório é a necessidade de possuir uma assinatura para jogar on-line além de mais outros quatro jogadores para compor a equipe. Seja com amigos ou com NPCs, as partidas precisam sempre estar com o time fechado com quatro jogadores, no entanto a diferença entre jogar com NPCs e jogadores humanos é visivelmente diferente alterando o desempenho das fases. Jogando com o auxílio da inteligência artificial, será mais difícil avançar, pois o trabalho em equipe é fundamental e a máquina não oferece o suporte para desafios mais altos fazendo com a dificuldade se intensifique logo nos primeiros capítulos. Em contrapartida, as partidas com pessoas reais são mais dinâmicas e funcionais visto que muitos jogadores conhecem as manhas para sobreviver e ajudar o time a prosseguir. Um ponto negativo em relação aos matching makers é que nem sempre uma quantidade suficiente de jogadores está disponível e o jogo acaba por substituir pelo NPC. Dessa forma, existe uma inconsistência a cada vez que as partidas são montadas já que em um capítulo é possível fechar um time completos de jogadores e no outro um time somente controlado pelo sistema. Após a organização dos jogadores, é hora de sair pela cidade procurando itens e sobrevier da melhor maneira possível até chegar à próxima safe house. As partidas, Back 4 Blood é um misto de eficiência e repetição que gera um jogo ora funcional, ora repetitivo por trazer mais do mesmo sem uma evolução perceptível.

Ao começar a percorrer as diversas localidades disponíveis, o jogador vai perceber que a arquitetura e o dinamismo estão sempre presentes fazendo com que as fases dos atos mostrem lugares com uma realidade interessante representando grandes cidades. Os respectivos pontos de interesse incluem casas, hospitais, restaurantes etc. todos de forma bastante convincente e que ficariam tomados pelos infectados justamente da forma como representados na tela.

Apesar de se um game cuja experiência gráfica não é o maior destaque, é interessante notar que boas resoluções, texturas, definições e cores são competentes e agradáveis mesmo quando se está em meio a uma horda de zumbis como acontece em vários momentos do jogo. Para que o gameplay não se torne somente uma saraivada de balas contra os infectados, muitos estágios permitem interações com os cenários que podem atrair inimigos além de “prender” o jogador em determinados momentos para que criaturas mais fortes e evoluídas sejam enfrentadas e o game ganhe um grau de dificuldade mais elevado conforme a campanha avança.

Os monstros de Back 4 Blood são bem originais e divertidos de serem destruídos contando com variedades que vão desde o infectado mais tradicional que anda devagar e é atraído pelo som até criaturas mais fortes como a chupadora, o garotão e o Ogro que vão exigir mais habilidade nas batalhas. Todas as criaturas possuem um alto nível de detalhe que definem bem suas “identidades” e forma de atacar. Enquanto os infectados mais comuns podem ser mais facilmente combatidos com as armas disponibilizadas pelo jogo, o garotão exige um pouco mais de estratégia e pede o trabalho de equipe para que todos consigam sair do embate em boas condições. Isso significa dizer  que enquanto um membro ataca, o outro deve ir atrás de suprimentos e munição para alternar o ataque enquanto o primeiro membro se recupera. Vale destacar que Back 4 Blood é um título essencialmente cooperativo, portanto não espere um jogo em que será possível sentar sozinho na frente do monitor e acompanhar uma boa história de zumbis. Jogar com outras pessoas será o elemento chave e estará sempre em evidência a cada nova partida.

Atire agora, compreenda depois

Durante a campanha de Back 4 Blood, o grande objetivo será atirar para todos os lados e montar esquemas que combata os inimigos, portanto não há espaço para muita investigação ou acompanhamento da história como em outros gêneros. Neste sentido, o esquema de jogabilidade assume uma importância vital no sucesso das lutas que envolve o uso agressivo de armas e outros acessórios para ajudar no combate.

O arsenal disponibilizado é bastante variável e conta com rifles, pistolas, escopetas, armas automáticas, fuzis e muitas outras opções que vão ajudar muito a enfrentar os monstros. Mesmo quem não está habituado a jogos de tiro cooperativo poderá se adaptar com certa facilidade uma vez que o jogo tem comandos rápidos e intuitivos. Os botões do controle respondem bem às miras e ao tiro em todos os modelos de armas e, de forma geral, todo o leque bélico possui a mesma eficiência, o que significa que não há muita diferença em atirar com armas mais pesadas que sejam parecidas entre si. De mesmo modo, o jogo não faz uma exigência pontual para pegar armas mais poderosas e o jogador pode manter seu arsenal durante os atos sem grandes implicações. Além disso, munição e armamento são bem disponibilizados durante as fases, o que faz com que seja possível, em muitos momentos, avançar de forma agressiva contra os infectados com a ajuda dos companheiros. No entanto, vale destacar que o jogo conta com um balanceamento refinado que pede dos jogadores um intenso trabalho de equipe, o que significa apontar que se os recursos não forem bem administrados em nome do grupo e da sobrevivência, haverá uma grande chance de haver escassez de munição e intens.

Outro aspecto da jogabilidade que é a novidade do título é o sistema de carta que define as partidas antes do início e geram atributos negativos e positivos que fornecem mais um elemento de desafio ao jogo. Antes de começar, será necessário definir as cartas que vão dar atributos aos jogadores como força, saúde ou mais munição assim como definir carta negativa que incluem mais inimigos ou pássaros que podem fazer barulho e atrair grandes hordas de infectados e até monstros mais perigosos. Com o progresso da campanha, cada jogador poderá montar seu próprio deck e deixá-lo personalizado para uma maior eficiência garantindo um maior sucesso e permitindo chegar aos atos finais com mais facilidade.

De modo geral, e como todo bom jogo cooperativo, a necessidade mais básica de quem joga é seguir em frente e atirar em criaturas bizarras para se salvar. Essa dinâmica expressa com coerência a luta pela vida em lugares tomados por infectados onde saber o que aconteceu e se importar com o próximo só é válido quando o outro é um membro do seu time que poderá estar morto segundos depois.

Mais um ato

Reunindo bons aspectos técnicos e uma boa jogabilidade para juntar amigos pela sobrevivência em meio ao caos, Back 4 Blood é um jogo que repete uma fórmula popular e bem aceita pelo público, mas não avança em trazer uma experiência mais relevante. O título poderá ser uma boa opção para jogadores acostumados a viver as dinâmicas de um jogo cooperativo e se tiver muitos amigos na lista para poder jogar junto. É possível dizer que o game da Turtle Rocks é uma atividade de caráter social que privilegia o trabalho em equipe visto que há a exigência de sempre estar conectado mesmo para jogar com os NPCs.

Ao jogar com pessoas reais, fica claro que a experiência de um jogador humano é decisiva para o progresso do time de forma que determinados papéis podem ser atribuídos a cada personagem através de quem joga. Será comum perceber dos participantes a ajuda e cooperação em nome da natureza que o jogo possui. Alguns jogadores são mais exploradores e coletam itens e munição para distribuir para o grupo, e outros assumem um papel de curador sempre garantindo a saúde da equipe. Outros tipos incluem jogadores mais agressivos, que lideram o time e estão sempre à frente para derrubar a próxima criatura assim como também há aqueles que abandonam as partidas sendo substituídos pela máquina geralmente em momentos específicos das fases.

De maneira geral, a comunidade de Back 4 Blood parece equilibrada e entendeu o espírito colaborativo do game. A prova disso é que na maioria das partidas, muitos participantes colaboram de bom grado para os desafios e permanecem na luta constantemente permitindo que o game seja aproveitado em todo seu potencial.

No entanto, Back for Blood entrega uma experiência muito similar ao próprio Left 4 Dead além de emprestar outras dinâmicas vindas de jogos como Dead Rising sem trazer uma identidade que justifique o lançamento. Em linhas gerais, tudo que será necessário fazer é combater as criaturas nas fases e prosseguir, mas, em pouco tempo, o título se torna repetitivo e nem mesmo os quatro grandes atos são suficientes para manter o interesse pela campanha até o final. Como resultado, tem-se um jogo que perde em diversão com o tempo e não tem elementos novos em boa quantidade para segurar jogadores menos habituados à cooperação. Isso faz com que o game seja quase que direcionado a um público muito específico e familiarizados com gênero tirando um pouco da flexibilidade em atrair mais jogadores para compor o dinamismo que é a natureza de Back 4 Blood.

Entre tiros, sobrevivência e criaturas infectadas por algum vírus desconhecido, Back 4 Blood proporciona uma experiência razoável investindo em fatores técnicos em nome da cooperação. Mesmo possuindo uma boa intenção de colocar jogadores em equipe para se divertir em um mundo apocalíptico, o título não consegue ser atraente em totalidade uma vez que repete fórmulas passadas para o lançamento de um jogo mais voltado para um público específico.

Vale a pena?

Back 4 Blood é um jogo para ser jogado com amigos durante horas com o objetivo de avançar na campanha e ganhar experiência para progredir com os personagens. Os fatores técnicos recepcionam bem quem chega para as partidas assim como a comunidade compreende a ideia central do título. Entretanto, o game é uma experiência direcionada a um público mais acostumado ao gênero que se diverte ao atirar em monstros e enfrentar desafios de hordas. Para jogadores com menos habilidades, o ideal é optar por jogos que invistam em histórias em um universo mais particular em que é possível obter vivências mais interessantes e profundas.

Nota 7,0

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