Análise – ‘Doom’ parece bruxaria dos infernos rodando no Switch

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Categoria: Games, Geek, Nintendo Switch

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O Nintendo Switch precisava ser um sucesso. A companhia japonesa passou três anos fechando o balanço no vermelho e um quarto “salvo”graças aos bonecos da linha amiibo e ao Pokémon Go – que não foi ela quem fez. Estava na hora de tentar algo ousado, algo diferente. Já no seu anúncio, o Switch revelava The Elder Scrolls V: Skyrim em sua biblioteca de games para 2017.

Ok, o game da Bethesda era um nome famoso, mas havia sido lançado em 2011. Ou seja, mais do que compatível com o hardware do console híbrido da Nintendo. A Big-N precisava de mais e mostrou que o pacto com a companhia norte-americana era mais forte. Boom, digo, Doom (2016) foi anunciado para o Switch e caiu mesmo como uma bomba, tamanho o impacto da notícia em setembro. O game foi lançado oficialmente no dia 10 de novembro – uma semana antes de Skyrim – e tem tudo para ser um dos mais vendidos do fim de ano da plataforma.

Lançado no ano passado para PlayStation 4, Xbox One e PC, o reboot da franquia foi desenvolvido pela id Software e parece uma verdadeira bruxaria dos demônios que funcione tão bem em um console que nunca teve intenção de ser parrudo como a concorrência. O casamento é inesperado por outro aspecto: historicamente, a Nintendo nunca foi uma casa de games adultos/violentos.

Quer uma prévia da minha análise sobre Doom para o Nintendo Switch?

Rapaz, é uma diversão dos diabos!

História e enredo

Doom não é dos jogos mais profundos em termos de enredo. A volta do game a suas origens tem a ver com a intenção de focar sua experiência em ação frenética. Logo, você acorda em Marte e descobre que algum “gênio” dizimou uma estação inteira transformando seus pesquisadores em demônios. Enfim, a coisa toda acaba num inferno e é hora de encarar a situação da única forma racional possível: detonando esses safados na base da porrada.

O modo single-player conta com uma campanha que dura cerca de 16 horas em média, na qual você tem pouco tempo para respirar. Esses malditos demônios vão aumentando em número e poder na mesma medida que você vai se acostumando com os controles, melhorias e interface. Aos poucos, o game premia sua exploração com informações sobre o que aconteceu e itens bastante interessantes.

A premissa aqui é seguir atirando, sempre em frente e não ficar se escondendo ou recuperando energia. Está com a vida por um triz? Mate um demônio de forma gloriosa e recupere seu status. Toda essa correria acontece ao som de rock pesado. Mas, não se engane, isso não quer dizer que você resolva tudo na base do tiro, porrada e bomba. Na verdade, você vai se aprimorando nos diferentes tipos de armas de tiro, nos benefícios de terminar com os inimigos na porrada e na hora de abandonar o bom senso e explodir tudo na ˜bomba˜ mesmo.

Gráficos e performance

Talvez o aspecto mais comentado antes do lançamento do game, os visuais de Doom são marcantes. Claramente, o jogo teve que ser adaptado para um console com menor poder de processamento e por isso não roda a 60 fps como em suas outras versões. No Switch, o jogo roda boa parte do tempo em 30 estáveis fps, mesmo no modo portátil.

Em poucos momentos é possível notar uma ligeira queda, quando você tem 30 demônios correndo atrás do seu traseiro. Nesses casos, essa vai ser a menor das suas preocupações. As texturas do game também sofreram um downgrade, assim como é possível notar que o game faz uso do recurso de motion blur, que deixa cenas desfocadas de uma forma até artística e resolve o problema de ter que processar tantos detalhes.

Já os tempos de carregamento são realmente rápidos e funcionam bem no modo portátil. Para minha surpresa, só tive alguma engasgada breve quando o jogo estava rodando via dock. Ou seja, quando ele deveria ter mais poder. Vai entender…

O design dos monstros é bonito e talvez seja o que mais sofra com a queda de qualidade gráfica. Mas, relaxe, eles vão ser massacrados mesmo. Já os menus do game poderiam ter sido otimizados para a tela pequena do console. É um verdadeiro desafio ler alguma descrição de itens ou da história na seção de inventário em modo portátil.

Outro ponto que têm se revelado uma dificuldade para alguns jogadores é o fato dos controles do joy-con serem bastante pequenos e, claramente, não feitos para games de tiro. A dica que eu dou para esses casos é testar bastante as calibragens para sensibilidade dos botões de movimentação e ajustar o layout do controle ao que for mais confortável para você.

Durante minhas horas jogando no modo portátil, não senti a necessidade. Mas, em última instância, o problema pode ser resolvido com um Pro Controller. Sim, é uma péssima forma de resolver um problema. Ressalto que essa dica é para casos extremos, 90% das pessoas não deve ter essa frescura dificuldade.

Modos de jogo

Na parte de experiência single player, o modo campanha ainda conta com uma versão Arcade, na qual você compete com outros jogadores para descobrir quem faz mais pontos em cada um dos níveis da história. Doom também traz a volta da experiência multiplayer que coloca você contra outros jogadores em uma arena e salve-se quem puder.

Existem nove variações de partidas no modo online. Cada uma tem um objetivo diferente e o game faz um bom trabalho em separar as opções por diferentes níveis de habilidade e interesse dos jogadores. Em cada um dos modos diferentes, o jogador ganha pontos para customizar seu equipamento e ter mais facilidade nos combates.

É possível criar uma sala e até mesmo convidar seus amigos para essas partidas. Viu, EA, não é tão difícil assim, né? Durante os testes para essa análise, o modo online funcionou corretamente e o tempo de espera foi pequeno para iniciar partidas no Switch.

O pacote entregue na versão para o console híbrido da Nintendo tem o game principal e os três DLCs lançados para o game. Complementa a versão um modo de treino para os jogadores iniciantes. Com tanto conteúdo e diversão despretensiosa, Doom se encaminha para ser o FPS favorito dos donos do videogame da Nintendo.

Vale a pena?

Sigo olhando para o logo do game no meu Switch e pensando no brilhante trabalho técnico de adaptação de um game tão atual e divertido ao console do momento. Tiro meu chapéu para a galera da Panic Button que trabalhou nesse port. Mesmo para quem não curte o estilo de tiro em primeira pessoa como gênero favorito, sinto como se Doom fosse um rajada de nostalgia. É impressionante como o título casa muito bem com a diversão descompromissada e a portabilidade do Switch.

Por outro lado, os controles joy-con também não tem como foco principal um game FPS. Então, é importante passar algum tempo fazendo ajustes para não atrapalhar a diversão na jogatina. A curva de aprendizado do jogo não é das mais complicadas e privilegia seu entretenimento.

Mesmo assim, vale a dica, se você não manja muito do riscado: o ideal é engolir o orgulho e ser honesto no começo do jogo, na hora de adequar o game ao seu nível de desafio. A não ser que você não ligue de penar um pouco até pegar o jeito.

O game tem gráficos adaptados para o que o console da Nintendo suporta. Isso compromete a jogabilidade? Não, mas se você tem um PlayStation 4 ou Xbox One e não quer aproveitar da portabilidade, compre o game para seu console mais parrudo.

Se você é um nintendista ou gamer casual que só se lembra de Doom da época dos PCs, talvez essa seja a hora exata para atravessar esse portal infernal e cair nessa aventura violenta. Uma dica: é melhor cair atirando.

Nota: 8.5

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