Análise | Just Dance: Decades of Hits – A festa que atravessa gerações no PS5

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Categoria: Artigos, Games, Review

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Chegou mais um Just Dance e, como sempre, a sala de casa vira pista de dança em questão de minutos. Testamos a versão de PS5 de Just Dance: Decades of Hits, o lançamento de 2026 que abandona o número do ano no título para apostar em um tema claro: 35 músicas que vão dos anos 70 aos dias atuais, com um modo Aventura inédito e a mesma proposta de sempre reunir gente de todas as idades para se mexer, rir e suar um pouco.

O jogo também está disponível para Xbox Series X|S e Nintendo Switch, com a versão para Nintendo Switch 2 chegando em novembro como atualização gratuita para quem já tem o título no Switch original. A experiência base é praticamente a mesma em todas as plataformas, com as diferenças ficando mais por conta do controle (Joy-Con no Switch, por exemplo) e da performance em cada hardware.

Primeiras impressões e o convite para a pista

A abertura é direta. Em poucos minutos você já escolhe o coach, vê a coreografia na tela e começa a acompanhar o ritmo sem muita cerimônia. No PS5 os menus respondem bem, os carregamentos não demoram e o visual colorido continua sendo um dos pontos fortes da série. Não tem aquele “uau” de inovação, mas funciona do jeito que a gente espera de um Just Dance.

O que se destaca de verdade é como cada década tem sua própria cara. Não é só a música que muda: o cenário, as cores e o estilo dos coaches acompanham o período. Você sai de um ambiente com vibe disco e cai em algo mais anos 80, depois em um palco mais atual. É um detalhe pequeno, mas ajuda a sessão a não ficar tão repetitiva quanto nas edições passadas.

Quem já tem outras versões da série no mesmo console encontra as músicas delas (e as do Just Dance+) reunidas no mesmo lugar. Na prática isso evita ficar abrindo e fechando jogos diferentes só para montar uma playlist.

Uma trilha que une gerações

O repertório é o coração do jogo e, neste ponto, a Ubisoft acertou em cheio. Tem ABBA com Mamma Mia, Madonna com Into the Groove, Spice Girls em Wannabe, NSYNC em Bye Bye Bye, Gorillaz, Britney, Bad Bunny, Sabrina Carpenter, Chappell Roan e vários outros nomes que atravessam diferentes públicos. É fácil imaginar avós, pais e filhos reconhecendo pelo menos algumas faixas na mesma sessão.

As coreografias acompanham essa variedade. Tem rotinas mais tranquilas, fáceis de acompanhar mesmo sem prática, e outras que pedem um pouco mais de coordenação e fôlego. Nenhuma é exageradamente difícil, a série nunca foi sobre formar dançarinos profissionais, mas estão bem pensadas para o público amplo que ela sempre buscou.

Alguns temas chegam em versão cover, algo comum na franquia e que não atrapalha quando a coreografia e o visual estão bons. O que pode decepcionar quem quer volume é a quantidade: 35 faixas base, mesmo com algumas alternativas, ainda é pouco para um jogo que promete cobrir seis décadas. O catálogo maior continua dependendo da assinatura Just Dance+.

Ainda assim, a seleção está entre as mais equilibradas dos últimos anos. Tem nostalgia, tem hit atual e tem espaço para todo mundo cantar junto (ou pelo menos tentar).

Modo Aventura: viajando no tempo com a Lyra

A grande novidade é o Modo Aventura. Você acompanha a Lyra, filha do Dr. Gigavolt, numa missão leve de resgatar o pai viajando pelas décadas. São seis mundos temáticos, quizzes, miniatividades e recompensas exclusivas ao longo do caminho. Todas as 35 músicas estão inseridas nessa progressão.

Não é uma história profunda e nem precisa ser. O modo funciona mais como um jeito de organizar o conteúdo e dar um motivo para jogar sozinho ou com pouca gente. Em vez de ficar escolhendo faixas aleatórias, você avança pelas eras, destrava conteúdo e sente que está fazendo alguma coisa além de só repetir músicas. É um acréscimo bem-vindo e exclusivo desta edição.

Controles e a experiência no PlayStation 5

No PS5 o controle continua passando principalmente pelo celular. Você baixa o aplicativo gratuito Just Dance Controller e usa o smartphone como controle de movimento. Funciona bem na maioria das vezes, especialmente em sessões casuais.

A opção de usar a câmera do celular para capturar o corpo inteiro (sem precisar segurar o aparelho) é a mais confortável. Você posiciona o telefone a uma distância razoável e dança livre. No nosso teste no PS5 ela se mostrou precisa o suficiente para a diversão, embora ainda dependa de espaço (cerca de dois metros) e boa iluminação. Não é perfeita para quem mora em apartamento pequeno, mas quando dá certo é bem mais natural.

Segurar o celular na mão ainda é a solução mais prática para grupos, já que a câmera de corpo inteiro limita a um jogador por vez. A leitura dos movimentos continua com aquelas pequenas inconsistências de sempre: às vezes um gesto óbvio não registra, outras vezes você ganha ponto sem ter feito exatamente o que a tela pedia. Para festa isso vira motivo de risada; para quem busca nota alta pode irritar.

O desempenho geral no console é estável. Não tivemos engasgos graves durante as sessões, e a interface responde bem. O ponto mais chato continua sendo a dependência de internet e do streaming de boa parte do conteúdo. Dá para baixar algumas faixas localmente, mas o limite ainda é baixo para quem quer jogar offline com frequência.

No geral, o PS5 entrega uma experiência sólida e colorida. Não é o hardware que limita o jogo; são as mesmas escolhas de design que a série carrega há anos.

Party Mode, treinos e a festa em casa

O Party Mode continua sendo o modo mais caótico e divertido para grupos. Em vez de apenas dançar a música inteira, você enfrenta trechos curtos, regras que mudam no meio do caminho, desafios de pose e efeitos que bagunçam um pouco a coreografia. Com três ou quatro pessoas na sala o resultado é exatamente o que se espera: risada, competição amigável e energia alta.

O modo de treino também está presente e mais flexível. Dá para montar rotinas com foco em intensidade e gasto calórico, o que ajuda quem usa o Just Dance como exercício leve. As opções de coreografias adaptadas (incluindo versões sentadas) reforçam a acessibilidade que a franquia vem trabalhando.

Jogar com até seis pessoas no mesmo console é simples e funciona. Cada um personaliza o próprio perfil com as cartas de dançarino e, na prática, o jogo cumpre o papel de animar reuniões sem exigir muito preparo. É o tipo de título que você coloca quando chega visita e em poucos minutos todo mundo já está participando, mesmo quem diz que “não dança”.

Vale a pena comprar?

Just Dance: Decades of Hits não reinventa a fórmula, mas entrega uma das edições mais coesas dos últimos tempos graças ao tema das décadas e ao Modo Aventura. A trilha é bem escolhida, o visual está bonito e colorido, e a experiência no PS5 é estável e divertida tanto sozinho quanto em grupo.

O lado negativo de sempre continua: 35 músicas base ainda é pouco, a detecção de movimento não é perfeita e o catálogo completo depende bastante da assinatura Just Dance+. Se você já tem as edições mais recentes e não se interessa tanto pelas novas faixas ou pelo modo história, pode esperar uma promoção.

Para quem está voltando à franquia, quer um jogo de festa para a família ou simplesmente gosta de se mexer com hits conhecidos, vale a pena. É o Just Dance fazendo o que ele sempre fez de melhor e com um pouco mais de propósito desta vez.

Nota: 8,0

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